Um relato sobre o Diafragma

Compartilho com vocês um relato muito bonito e importante que a Ana Pura nos deu em nossa lista de emails sobre o sagrado feminino. Sugiro a todas que leiam e aprendam mais um pouco, e quem quiser participar da lista, o nosso endereço, por favor me mande um email pessoal em dalua@aterraviva.com, se apresentando brevemente.

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Acompanho alguns tópicos e questões pela lista de e-mails e li que houve uma pequena confusão entre diu e diafragma.

Gente, eu uso diafragma como método contraceptivo há 3 anos (antes até de usar o mooncup). A ideia nem partiu de mim, foi sugestão de uma tia minha que é ginecologista e homeopata. Antes dela eu também nunca tinha visto um diafragma, só lembrava vagamente nas aulas de educação sexual na escola ou nas de biologia sobre órgãos reprodutores. Quando fui me consultar com ela eu estava decidida a largar a pílula anticoncepcional que há um ano tomava por recomendação de outro ginecologista para atuar no meu ciclo menstrual irregular. Eu passei 3 meses tomando Diane (que me fez engordar 5 quilos em apenas 40 dias) e depois passei mais 8 meses tomando Yasmin (que manteve meus 5 quilos inalterados e ainda me causava dor de cabeça e mudanças bruscas de humor, além de forte TPM, coisa que nunca tive de modo acentuado).

Fui ao consultório da minha tia com a ideia de retomar o tratamento do ciclo irregular com homeopatia e usar DIU como método contraceptivo, já que possuía parceiro fixo. Acho que a maioria de vocês devem ter conversado e já sabe das contra-indicações de tal método, ainda mais em mulheres que nunca engravidaram ou que possuem o útero pequeno (não patologicamente pequeno, apenas de tamanho mais reduzido, como é o meu caso). Daí ela me apresentou o diafragma e falou que é um dos métodos contraceptivos mais usados na Europa, mas muito pouco conhecido pela mulher brasileira. Minha tia acha que as europeias devem ter cansado de se entupir de hormônios e buscado algo eficaz de modo mais natural. Quando ela me explicou o procedimento do diafragma confesso que torci um pouco o nariz, mas diante da minha falta de opção e trauma de usar qualquer tipo de anticoncepcional (seja pílula, anel, adesivo), topei experimentar.

O Diafragma é feito de um círculo, um aro de ferro maleável revestido de silicone formando como se fosse um prato emborcado pra baixo. Essa parte que faz uma curvinha se encaixa perfeitamente na entrada do útero. Você sente que ta encaixado ou mal colocado, é que nem sentir o mooncup, mas ele fica bem mais pra dentro, revestindo a parede do útero. Pode introduzi-lo minutos ou horas antes da relação sexual e teve retirá-lo apenas 8 a 9 horas depois, que corresponde ao tempo de vida do espermatozoide dentro do canal vaginal. Caso role de transar novamente entre esse intervalo, vai somando mais 8 e assim vai. Mas dificilmente ultrapassa 18 horas, rola um intervalinho, nem que seja pra tirar, lavar e por de novo. Para quem quiser se sentir mais segura, especialmente nos períodos férteis, existe o espermicida (no Brasil quem comercializa é a PRESERV), que é uma pomada com a mesma consistência e aspecto do KY, a qual deve ser aplicada e espalhada no diafragma no máximo até 2 horas antes de transar (eu só uso ele de vez em quando, em contato com o líquido vaginal ele muda de consistência, de gel pastoso vira gel meio que em flocos branquinhos, além de deixar gosto estranho– recomendo sexo oral antes de por ele). O procedimento ao término é o mesmo. Para retirar o diafragma é só fazer movimentos semelhantes ao feitos com o mooncup para expelir e com o auxílio dos dedos. Eu sempre uso o indicador e o do meio fazendo um V com eles para auxiliar como se fosse uma pinça, é bem sussa.

Não incomoda nem um pouco, eu não sinto a menor diferença no sexo, meu namorado também não sente o diafragma. Teve uma fez que eu até esqueci ele quase por dois dias em mim, só na hora de usar de novo que lembrei:-), tem que ficar esperta porque se não esquece mesmo. Ele me custou, em 2007, 60 reais. Sei que tem em Sampa de 70 a 100. Ele dura muito, o meu tá super bom ainda, e olha que não é por falta de uso (rsrs…). Na higienização, mesmo esquema que o mooncup: lavar com sabão neutro, eu uso o de coco, mas pode ser também aqueles sabonetes íntimos, além de uma fervida de vez em quando. No Brasil a marca que o vende chama Femina ou Semina, algo assim. Gente, pra quem tem parceiro fixo, recomendo muito, o diafragma mudou minha vida! Por minha recomendação uma mulher mais velha (por volta dos 40), da academia que eu ia, passou a usar. Ela também não aguentava mais anticoncepcional e compartilhava das mesmas queixas que eu. Sempre que a gente se vê ela sempre comenta como está mais feliz com o diafragma e me agradece;-)!

Falando assim até parece bem trampo, por, calcular as horas, tirar limpar. Mas sinceramente, é muito tranquilo. Ainda mais depois que vc pega o jeito, é rapidinho colocar, rsrs… E pra quem já é acostumada com o mooncup, fica facinho de adaptar. No meu caso foi fácil me adaptar ao esquema mooncup por conta da experiência com o diafragma. Inclusive eu o uso como copo coletor no final da menstruação, sabe, quando tem pouquinho, ele segura a onda que é uma beleza! E também de deixa mais a vontade para transar durante a menstruação! Resumindo, Diafragma é do bem (é até bonitinho, rosinha, hehe)!

Enfim, meninas, esse foi um relato sobre minha experiência com o diafragma, onde tentei ser mais o breve possível. Dúvidas, comentários, perguntas, etc, estou aberta e disponível para a discussão!

Beijos,

Ana Pura

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Queridas, a Nina também deixou um depoimento interessante sobre o uso do diafragma:

Li esse depoimento sobre o diafragma e resolvi deixar aqui o meu.
Aos 20 anos comecei a tomar pípulas, naquele tempo, uma de baixa dosagem q se chamava Microvlar, ou algo assim. Uns 3 ou 4 meses depois comeci a ter muita dor de cabeça (naquele tempo eu não tinha nada, nadinha, de mal estar!) e tive uma hemorragia de mais de 20 dias. Minha ginecologista (a mesma por 42 anos, – grande médica!) estava viajando e quem me atendeu foi o marido dela, obstetra também. Ele mandou-me parar com o anticoncepcional imeditamente e, depois que eu disse q gostaria de usar o diu, ele começou a me explicar os vários tipos do dispositivo. Após a escolha do tipo, coloquei o diu e, alguns dias depois, tive hemorragia de novo…
Bom, agora só me restava experimentar o diafragma, q não foi a minha primeira opção porque ele não tem a mesma segurança de quase 100% dos 2 outros métodos.
Foi uma revelação para mim! Como era prático e saudável! O médico, aquele mesmo, marido de minha médica, q ainda estava de férias, me disse q eu poderia ficar com ele mais de 8 horas, se necessário. Eu perguntei: “quanto tempo, um dia inteiro?” “Sim, pode, até mais.” “Quanto mais, 2 dias?” ” Pode, mas não deixa passar de 3 dias pra tirar, lavar e recolocar.”
(Eu já estava preocupada com alguma maratona q pudesse acontecer…)
Bem, com essa resposta, eu assumi pra mim mesma que, transando ou não transando, eu passaria a usar o diafragma constantemente, pois eu não sabia a q horas poderia ocorrer uma necessidade. E eu detesto 2 coisas: programar sexo, ou estar despreparada para o sexo.
Assim, desde então, passei a usar o diafragma diariamente, retirando de 3 em 3 dias pra lavar, passar o gel espermicida (q era importado), e colocá-lo de novo. Depois de colocado, eu conferia com o dedo médio se o colo do útero estava atrás do diafragma, para me certificar q ele estava no lugar.
O gel era para dar uma aumentada na eficácia do método anticoncepcional, já que eu não queria filhos de maneira alguma, pois meu ex-marido não queria prole. Meu ciclo era regular e muito comprido, de 32 a 34 dias, e eu só deixava de usar o diafragma quando eu estava pra menstruar, e então ficava uns 10 dias sem, porque minha menstruação era muito longa. Nesse período, o diafragma ficava guardado em sua caixinha, depois de lavado, seco e polvilhado com talco.
O uso do diafragma é muito higiênico e, mesmo eu tirando-o de 3 em 3 dias, ele saia cheirosinho de dentro de minha vagina, pois o nosso útero é muito limpinho. Nele não entra nada (bem, só esperma…), nem uma bacteriazinha, portanto, não dá cheiro. Caso eu tivesse passado gel anterormente, saía um pouquinho desse gel meio coaguladinho, mas limpo. Sabe o cheiro q tem? De bico de borracha de neném novinho, com aquele cheirinho de boca limpinha!… Até parece q o meu diafragma era de borracha mesmo, e não de silicone com os de hoje, que li no depoimento da Ana. Era bege como a borracha dos bicos antigos.
Para retirar o diafragma, eu tinha um jeito diferente da Ana: eu enfiava o dedo médio entre ele e o osso que temos no púbis, virava a mão, e o puxava usando o dedo como gancho.
Num certo período, foi proibida a importação desse gel, com a alegação careta e idiota de que ele era “abortivo”! Passei a usar, receitada por minha médica, uma pomada espermicida manipulada pela Drogaria Araújo, q era vendida como “lubrificante” ou “antisséptica”, sei lá, nem me lembro…
E também aprendi com ela a usar vinagre na higiene íntima como método espermicida, remédio antigo que minha avó me ensinou para evitar fungos, coceiras, infecções e outras coisas… Aliás, até hoje eu mantenho um frasquinho com vinagre de maçã dentro do box, e ensino pra muitas mulheres esse macetinho…

Fotos do diafragma

 

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O DIU

DIU

Aproveito para postar também um fragmento de uma discussão, na nossa lista de emails, sobre o DIU, um outro método contraceptivo, muito diferente do diafragma.

O texto abaixo foi escrito por Telma Caldeira, farmacêutica. Trata-se apenas um comentário, e não um texto extenso, mas achei importante colocar, pois pouca gente discute os possíveis efeitos do uso do DIU. Em breve podemos acrescentar a esse texto novas informações.

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O uso do DIU não é indicado para aquelas que possuem ciclos irregulares, pois ele altera o ciclo e o fluxo. Além disso, a depender do tamanho do útero (trompas e tudo mais) pode sim causar problemas de fertilidade. Por isso sequer eu penso em usá-lo, até porque os tamanhos desses DIUs são mais ou menos padrões e talvez não sejam o “meu número”.
DIUs mal colocados podem levar a cólicas e dores abdominais e se aquele que foi colocado em você libera algum tipo de hormônio, ele pode influenciar no seu humor.
Telma Caldeira, farmacêutica.
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Este é o espaço para considerar novos pontos de vista, se reconhecer e compartilhar o que aprendemos sobre o Sagrado Feminino.

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Cartilha de Métodos contraceptivos Naturais

Baixem neste linque material precioso para o auto-conhecimento. É uma apostila para aprender a conhecer o seu período fértil por toque e auto-observação, recomendadíssima!

cartilha1a_parte

cartilha2a_parte

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Para encorpar nosso encontro da Lua Cheia…

Recomendo bastante um vídeo sobre observação do muco vaginal para saber se está nos dias férteis (quanto mais comprido e grosso for o fio que se formar desse muco, maior a indicação de você está no pico da sua fertilidade). O vídeo na verdade é sobre o método de billings, a notória “tabelinha”, que por ser muito pobremente usada e conhecida, ficou cheia de estigmas, mas é um exercício maravilhoso de auto-conhecimento.
http://www.youtube.com/watch?v=O3Yky1vD1ak&feature=related
É meio longo, mas eu recomendo fortemente!

Como mencionei no último encontro, há uma cartilha muito especial de métodos naturais de contracepção. É um guia de auto – observação maravilhoso, e eu posso dizer que vi que sabia pouco de mim, e estou aprendendo muito com ele. Quem quiser, imprima-o, eu recomendo!
A Cartilha de métodos contraceptivos está aqui, juntamente com mais outras pérolas do estudo do feminino, que vocês podem baixar.  CLIQUE AQUI

Esta cartilha menciona um aparelhinho muito conhecido de todas nós que já fomos ao ginecologista, o espéculo vaginal:

Sim, aquele que revela coisas que só o seu ginecologista e vê, e você nunca sabe o que tem na dentro. Vocês nunca tiveram curiosidade??
Eu nunca gostei de não poder ver, pra falar bem a verdade.
Então, esse aparelhinho é muito simples de conseguir, eu comprei o meu por 4 reais. É descartável para ginecologista, que não vai usar o mesmo em duas mulheres diferentes, mas ele é de plástico e parece bem durável, então me parece uma ótima aquisição para quem quer se ver mais de perto.
Pois então, a cartilha mostra como aprender a observar o colo do seu útero com isso.
Meninas, é fantástico!
Aposto que vocês terão uma surpresa beeem grande ao se descobrirem.

Pesquisando sobre isso, descobri um site de um projeto de uma mulher que recolhe fotos do colo do útero de mulheres que querem entrar em contato consigo. Está todo em inglês, mas as fotos já dizem bastante.
Quem se animar de ver, devo avisá-las agora que são imagens fortes. Não há nada fora do normal, mas, como disse, é ver-se por dentro, então não assustem, rs
Quem já estiver bem trabalhada com relação à quebra desse tabu, vai poder se esbaldar e ver o comportamento do colo do útero durante os 28 dias do ciclo menstrual de uma mulher.
É esse aqui, bom divertimento:
http://www.beautifulcervix.com/cervix-photo-galleries/photos-of-cervix/

E se alguém se animar pode ainda mandar a sua própria foto para a dona do projeto!

Beijo grande, doces guerreiras,
Ju

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Relatos da Menarca

Com muito respeito aos mistérios da natureza feminina, o sangue.

Meu sangue, meu espelho de obsidiana…

Há 3 anos comecei a me conhecer melhor parando de jogar no lixo meu precioso sangue menstrual. Lamentavelmente, desde minha primeira menstruação, aos 12 anos, eu cultivava o hábito de lançá-lo no aterro sanitário, para fluir com a maioria dos dejetos da humanidade… Hábito que não foi exatamente cultivado por uma escolha minha, pois nunca vislumbrara outra opção. O que soube, através de todas as mulheres que me rodeavam, era que a sequência óbvia e única ao recebimento da menstruação era o modess, o absorvente íntimo descartável… O que era possível era se esbaldar no mar de opções do supermercado: grande, pequeno, fininho, superfininho, de plástico, de “algodão”, com abas, sem abas…todas aquelas embalagens! Só de lembrar do toque daqueles pacotinhos, cheio de odores artificiais, me deu um embruho no estômago.

Sempre detestei usar o modess, e como grande maioria das mulheres, comecei mal minha relação com minha menstruação. Herdei também das mulheres da família e das amigas, o tabu do sangue, o nojo do contato, o medo do “vazamento” proibido e o aborrecimento ritual dos dias de menstruação. Ritual, sim, pois também alguma coisa me confirmava que tudo isso era só uma forma de seguir o script, uma forma de estar integrada na imensa categoria “ser mulher”. Todas as mulheres reclamavam. Eu era só uma menina, querendo ser mulher. Minha forma de assumir, para mim e para todos, que eu também era mulher, era reclamar também. Desejei muito a menstruação, desejei o modess, desejei as dores, desejei tomar o buscopan, desejei acordar encharcada em sangue… é verdade, hoje reconheço isso. Uma maneira um pouco torta de ter sua iniciação, mas a forma encontrada por mais uma das tantas solitárias meninas vivendo sua menarca. É um momento solitário, sim. Ao menos nessa era em que estamos vivendo… Muitas mulheres juntas, vivendo solitariamente.

Quando chegou a minha vez, meu primeiro sangue, na verdade bem espesso e marrom, e não fluido em vermelho como a imagem que tinha do sangue, segui perfeitamente o script, e vivenciei tudo aquilo que desejei. Apesar desse desejo inconsciente de ter problemas com minha menstruação, para dessa forma torta, me reconhecer como mulher, ela nunca me deu muitos problemas. Nunca sofri com “vazamentos”, e tive cólicas muito fortes acho que umas 3 ou 4 vezes na vida. Quando tentei recorrer ao buscopan para aliviar as dores da cólica, fiquei tão mal, tão, mal! Caiu minha pressão, não conseguia me cuidar sozinha, caída e totalmente branca, achei que ia morrer… percebi nesse dia que era muito melhor ficar com as cólicas que achar um jeito de fingir que elas não estavam lá.

E nesse momento entrei um contato com algo que nunca tinham me dito, mas que era meu, que estava dentro de mim, mas não dava valor por não conhecer nenhuma manifestação parecida de alguém que eu considerasse um exemplo: ficava com minhas dores, quando elas vinham, que não era sempre. Vi que se aprendesse a sentir essas dores, estaria mais próxima de mim, não ficaria dependente de soluções externas e também aprenderia a me fortalecer.

Um dia comentei com uma prima mais velha como era um saco a menstruação, esperando a habitual solidariedade feminina no assunto. Ela me desconcertou, porque disse que gostava da menstruação, que a fazia sentir-se mulher. Não dei muita bola, mas isso nunca saiu da minha cabeça. Era uma outra opinião… parece que todas as mulheres compartilhavam apenas as dificuldades relativas ao sangrar, e nunca ninguém havia comentado qualquer coisa de valor sobre a menstruação.

Treze anos depois da minha menarca, aprendendo muito por caminhos retos e por caminhos tortos, descobri através de uma amiga que existia uma coisa chamada coletor menstrual. Nada parecido com o modess, uma espécie de copinho de silicone de uso interno e que é possível esvaziar de 8 em 8 horas. Senti que meus desejos haviam sido realizados! O modess me aborrecia tanto – pelo cheiro, pelo incômodo do uso, pelo fato de assar e fazer coçar a gente – que me lembro de vários momentos em que desejei fortemente uma alternativa. Corri para comprar, e na época só era possível importar. Comprei pela internet, o nome dele é Mooncup. Demorou um pouco pra chegar, e assim que ele chegou, esperei como nunca minha menstruação. Estava muito ansiosa, muito curiosa, e quando pude experimentar, ganhei de mim mesma um grande presente…

meu sangue

livre de plásticos, alvejantes, colas e géis, livre do cheiro horrível que existe APENAS no contato com esses materiais.

Ganhei de volta o meu próprio sangue. Descobri que eu não menstruava tanto quanto parecia. Naqueles modess cheios de gel absorvente, parecia que eu derramava muito sangue. O peso daquilo quando estava “cheio” é que me dava essa impressão. Mas não é verdade. Como uma folha de papel de cozinha quando recebe um pingo d’água, o modess fica cheio e pesado com a menor quantidade de sangue. E em contato com os produtos que ele têm, assim que o sangue cai no absorvente, começa a oxidar. Em palavras mais diretas, a apodrecer. O cheio é horrível depois de algumas horas. E essa é a experiência que a maioria de nós tem com seu sangue: algo realmente chato, nojento e fedido, sendo nosso dever jogá-lo fora o mais rápido possível.

Com o mooncup (coletor menstrual), e hoje com os absorventes de pano que fabrico com uma amiga [veja as fotos], tenho hoje uma relação de muito, muito respeito e devoção ao sangue que sai de mim todo mês. Não achem que foi imediato. Há 3 anos, quando comecei a usar o mooncup, eu também jogava meu sangue na privada. Só depois fui percebendo que tinha alguma coisa estranha nisso. Meu sangue ficava todo maravilhosamente contido naquele copinho, e quando eu o retirava de mim, podia perceber-lhe a textura, a cor, a quantidade, o cheiro saudável (um cheiro próprio, indescritível por ser muito sutil)… Este mesmo sangue então não era sujo, “velho” e desprezível, mas um sangue honrado, um sangue sagrado, uma parte divina de mim entregue à terra… Passei a diluí-lo na água e jogá-lo na terra, onde sentia muito maior ressonância. Descobri que o sangue menstrual é dávida, e não castigo, e que nele está reunido o que havia de mais precioso em uma mulher: todos os nutrientes abençoados e lindamente filtrados e refinados para nutrir uma vida nova dentro do útero. Uma vida que não chegou. O útero é um ninho que se prepara todo mês. Sem a chegada da pequena jóia, o ninho se desfaz em menstruação. Como poderia jogá-lo no esgoto? O lugar mais apropriado é a Terra, que irá recebê-lo com todo amor. Nutrir a terra, as plantas, com a benção sagrada da nutrição feminina.

E o que acontece nesse momento é um despertar. Receber de uma outra forma sua menstruação é receber a chave para o segredo profundo e maravilhoso escondido dentro de cada mulher. Um segredo de tanta dádiva e tanta generosidade…

Minha alegria foi tanta ao descobrir essas coisas que divulguei para muitas amigas. Realizei uma lista de interessadas com a Mooncup e acabei fazendo um contato amigável com a empresa inglesa, que me sugeriu ser uma distribuidora do produto aqui no Brasil, e é assim já há dois anos. Antes de vendedora, sou usuária gratíssima e ativista pela auto-libertação da mulher.

Conheci nesse caminho uma mulher maravilhosa, que já entregava seu sangue à Terra há anos usando absorventes de pano. Comecei a costurá-los com ela e hoje fornecemos para muitas mulheres!

Quis compartilhar aqui minha experiência para incentivar outras mulheres a descobrir algo profundo e tão rico, capaz de mudar muito a sua vida, e que já habita em você…

Aqui estão os linques para o coletor menstrual e para os absorventes de pano, para quem se interessar.

Quem quiser conhecer melhor ou comprar qualquer um dos dois, podem me escrever em dalua@aterraviva.com

https://aterraviva.wordpress.com/absorventes-ecologicos-de-pano/ –> absorventes de pano

http://www.mooncup.co.uk/languages/pt/home.html/ —-> Mooncup®, coletor menstrual

Veja fotos aqui


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Coletor menstrual Mooncup e absorventes de pano



Uma forma de dobrá-lo para inserí-lo na vagina

Outra forma de inserí-lo

O mooncup fica logo na entrada da vagina, diferente dos absorventes internos, que ficam no colo do útero

Forma de retirá-lo

Absorventes Ecológicos de Pano

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Ciclo da Lua Branca e Ciclo da Lua Vermelha

Em que lua você menstrua? Você faz parte das mulheres de ciclo da lua branca ou das mulheres de ciclo da lua vermelha?

Na Antigüidade, o ciclo menstrual da mulher seguia as fases lunar com tanta precisão que a gestação era contada por luas. Com o passar dos tempos, a mulher foi se distanciando dessa sintonia e perdendo assim o contato com o seu próprio ritmo e seu corpo, fato que teve como conseqüência vários desequilíbrios hormonais, emocionais e psíquicos. Para restabelecer essa sincronicidade natural, tão necessária e salutar, a mulher deve se reconectar à Lua, observando a relação entre as fases lunares e seu ciclo menstrual. Compreendendo o ciclo da Lua e a relação com seu ritmo biológico, a mulher contemporânea poderá cooperar com o seu corpo, fluindo com os ciclos naturais, curando seus desequilíbrios e fortalecendo sua psique.

Para compreender melhor a energia de seu ciclo menstrual, cada mulher deve criar um Diário da Lua Vermelha, anotando no calendário o início de sua menstruação, a fase da lua, suas mudanças de humor, disposição, nível energético, comportamento social e sexual, preferências, sonhos e outras observações que queira.

Para tirar conclusões sobre o padrão de sua Lua Vermelha, faça essas anotações durante pelo menos três meses, preferencialmente por seis. Após esse tempo, compare as anotações mensais e resuma-as, criando, assim, um guia pessoal de seu ciclo menstrual baseado no padrão lunar. Observe a repetição de emoções, sintonias, percepções e sonhos, fato que vai lhe permitir estar mais consciente de suas reações, podendo evitar, prever ou controlar situações desagradáveis ou desgastantes.

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação. Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca. Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha. Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.

Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

Além de registrar seus ritmos no Diário da Lua Vermelha, a mulher moderna pode reaprender a vivenciar a sacralidade de seu ciclo menstrual. Para isso, é necessário criar e defender um espaço e um tempo dedicado a si mesma. Sem poder seguir o exemplo das suas ancestrais, que se refugiavam nas Tendas Lunares para um tempo de contemplação e oração, a mulher moderna deve respeitar sua vulnerabilidade e sensibilidade aumentadas durante sua lua. Ela pode diminuir seu ritmo, evitando sobrecargas ao se afastar de pessoas e ambientes carregados, não se expondo ou se desgastando emocionalmente, e procurando encontrar meios naturais para diminuir o desconforto, o cansaço, a tensão ou a agitação.

Com determinação e boa vontade, mesmo no corre-corre cotidiano dos afazeres e obrigações, é possível encontrar seu tempo e espaço sagrados para cuidar da sua mente, de seu corpo e de seu espírito. Meditações, banhos de luz lunar, água lunarizada, contato com seu ventre, sintonia com a deusa regente de sua lua natal ou com as deusas lunares, viagens xamânicas com batidas de tambor, visualizações dos animais de poder, uso de florais ou elixires de gemas contribuem para o restabelecimento do padrão lunar rompido e perdido ao longo dos milênios de supremacia masculina e racional.

O mundo atual – em que a maior parte das mulheres trabalha – ainda tem uma orientação masculina. Para se afastar dessa influência, a mulher moderna deve perscrutar seu interior e encontrar sua verdadeira natureza, refletindo-a em sua interação com o mundo externo.

(Texto extraído do livro O Anuário da Grande Mãe – Guia Prático de Rituais para Celebrar a Deusa, de Mirella Faur, Editora Gaia)

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